quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

carinho e teoria.



"Vagamente eu imaginava que o encontro com Foucault te trouxe uma maneira, uma brecha para os olhos que tanto querem brilhar...no fundo, é isso que também me aproxima dessas ciências sociais.
Sim, o tema será interessante por dialogar com um momento da vida também... essa 'psiquiatrização' da vida tem me incomodado profundamente, essa maneira de escapar rápido à dor, essa fuga constante...não me cabem.
Infelizmente, ainda prefiro o sorriso sincero e o choro sentido".
M.C.


"Pedrinho, vale muito a pena ser apaixonada e teimosa ao mesmo tempo. Análise (...) "apaixonada em excesso" com bons resultados!".
C.F.

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imensurável minha alegria ao saber que um fazer-pensar pode inspirar paixões e outros tempos possíveis para a vida cotidiana... vejo estas mensagens acima, trocadas por e-mail, compondo reflexos positivos de um íntimo projeto pessoal, no qual a vida entra na teoria - e não o contrário -, abrindo brechas para irromper a mesmificação do conhecimento, e o tédio, a dor, o natural e outras antigas formas políticas da verdade tão cristalizadas na gente...

na prática viva, vejo saltar aos meus sentidos a possibilidade de aproximar cada vez mais palavras aparentemente tão distantes, como "carinho" e "teoria".





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

eu não entro em férias.

nessa época do ano recomeçam as perguntas: "já está de férias?". e já há algumas férias eu respondo que não posso entrar de férias. não consigo... é impossível!

eu não trabalho num laboratório que depois do expediente tiro o jaleco e o que deixo lá não me pertence fora dali.

trabalho com subjetividade e pessoas. envolvo-me com elas. como se não bastasse, ainda pesquiso loucura e sofrimentos. tenho plena convicção: só entrarei de férias quando as pessoas pararem de sentir, emocionar-se, alegrar-se, entristecer-se...

e não me chame de cientista! cientista és tu e tua fria ciência que pensas em fazer. a "ciência" social que proponho está intimamente vinculada com a vida, em seu detalhe. quando eu não sentir mais os sinais de vitalidade nos meus trabalhos (seu olhar, sua respiração, seu tato, seus batimentos compassado com o meu), procurarei outra coisa para fazer...