Como esse mundo é incoerente. Antes de ontem, terça feira, perdi o ônibus por segundos num atraso meu. Já ontem, quarta feira, cheguei na rodoviária uma hora antes do horário previsto da partida para não viver o mesmo episódio de ontem e, de fato isso não aconteceu: quase quatro horas depois do horário marcado para sair, o ônibus da Silva Tur (não sei porque essa empresa tem dois nomes...) que eu iria embarcar encostou na rodoviária de Marília, num típico atraso. O motivo dessa vez foram problemas mecâncicos na rodovia, na altura de Assis, como sempre acontece.
Sempre acontece, como eu escrevi no texto anterior e volto a escrever neste. Somente naquela terça feira não aconteceu, talvez somente porque eu cheguei um minuto atrasado...
Os atrasos dos ônibus dessa empresa, pelo que observei em dois anos viajando naqueles verdadeiros museus do transporte terrestre brasileiro, são de três categorias: 1) problemas mecânico no meio da rodovia, isto é: o carro quebra e não tem como andar; 2) a polícia parando e multando por alguma irregularidade; 3) o mais idiota de todos, o veículo já sai atrasado numa média de 15 minutos de sua garagem, como percebo quando saio de S. J. do Rio Preto.
Mas na última quarta feira, já chateado por perder um dia de viagem por 1 minuto, olhei no celular: 21:12, quando a lataria verde pálida e branca encontou, já preparado em se deixar perder outro dia de viagem.
Liguei em casa e pedi para o primeiro que atendesse ligar em Rio Preto e se informar quando partiria o último ônibus do dia para Barretos. As respostas não foram satisfatórias e decidi não arriscar chegar em Rio Preto e passar mais horas perdidas em rodoviárias - onde somente no outro dia cedo pegaria meu outro ônibus. E mais uma vez, passei outra uma noite no meu quarto mariliense, frustado. Chateado.
Com muito esforço, mas portando minha típica paciência, fui mais uma vez até o guichê da empresa (tinha ido outras vezes lá encher o saco): e o carinha daquela hora da noite não sabia trocar passagens para o outro dia... Foram mais minutos esperando os serviços de um funcionário Fergo - e um serviço simples, nada muito complexo, algo do tipo levar seres humanos com segurança e no horário combinado para seu destino...
Quando voltei para casa, em Marília, mais uma vez, depois de mais uma viagem que não se realizou, me perguntava: o problema é comigo ou com o mundo? Que infelicidade... De qualquer forma, Fergo, obrigado por tudo: por me deixar esperar, por me fazer de bobo, por esse resfriado que peguei depois de quatro horas na gelada rodoviária mariliense. Obrigado por colocar qualquer veículo em trânsito, em qualquer condição mecânica, principalmente em dias de chuva, onde o risco de acidente é menor. Perder vidas em estradas é algo que só acontece com os outros, nunca com a gente.
Certa vez conversei rapidamente com um motorista que me dizia: "eles não enrolam somente vocês, enrolam a gente também com os salários".
A minha insatisfação fica aqui pontuada. Pelo menos, quando alguém digitar no Google seu nome, dos mais de 1 milhão de resultados, um deles é esse texto. Sei que é pouco, porém, me sinto mais útil e menos passivo. Talvez, melhor do que ligar ou comparecer pessoalmente na sua sede e reclamar para funcionários assalariados.