quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Voltando ao normal

Como esse mundo é incoerente. Antes de ontem, terça feira, perdi o ônibus por segundos num atraso meu. Já ontem, quarta feira, cheguei na rodoviária uma hora antes do horário previsto da partida para não viver o mesmo episódio de ontem e, de fato isso não aconteceu: quase quatro horas depois do horário marcado para sair, o ônibus da Silva Tur (não sei porque essa empresa tem dois nomes...) que eu iria embarcar encostou na rodoviária de Marília, num típico atraso. O motivo dessa vez foram problemas mecâncicos na rodovia, na altura de Assis, como sempre acontece.

Sempre acontece, como eu escrevi no texto anterior e volto a escrever neste. Somente naquela terça feira não aconteceu, talvez somente porque eu cheguei um minuto atrasado...

Os atrasos dos ônibus dessa empresa, pelo que observei em dois anos viajando naqueles verdadeiros museus do transporte terrestre brasileiro, são de três categorias: 1) problemas mecânico no meio da rodovia, isto é: o carro quebra e não tem como andar; 2) a polícia parando e multando por alguma irregularidade; 3) o mais idiota de todos, o veículo já sai atrasado numa média de 15 minutos de sua garagem, como percebo quando saio de S. J. do Rio Preto.

Mas na última quarta feira, já chateado por perder um dia de viagem por 1 minuto, olhei no celular: 21:12, quando a lataria verde pálida e branca encontou, já preparado em se deixar perder outro dia de viagem.

Liguei em casa e pedi para o primeiro que atendesse ligar em Rio Preto e se informar quando partiria o último ônibus do dia para Barretos. As respostas não foram satisfatórias e decidi não arriscar chegar em Rio Preto e passar mais horas perdidas em rodoviárias - onde somente no outro dia cedo pegaria meu outro ônibus. E mais uma vez, passei outra uma noite no meu quarto mariliense, frustado. Chateado.

Com muito esforço, mas portando minha típica paciência, fui mais uma vez até o guichê da empresa (tinha ido outras vezes lá encher o saco): e o carinha daquela hora da noite não sabia trocar passagens para o outro dia... Foram mais minutos esperando os serviços de um funcionário Fergo - e um serviço simples, nada muito complexo, algo do tipo levar seres humanos com segurança e no horário combinado para seu destino...

Quando voltei para casa, em Marília, mais uma vez, depois de mais uma viagem que não se realizou, me perguntava: o problema é comigo ou com o mundo? Que infelicidade... De qualquer forma, Fergo, obrigado por tudo: por me deixar esperar, por me fazer de bobo, por esse resfriado que peguei depois de quatro horas na gelada rodoviária mariliense. Obrigado por colocar qualquer veículo em trânsito, em qualquer condição mecânica, principalmente em dias de chuva, onde o risco de acidente é menor. Perder vidas em estradas é algo que só acontece com os outros, nunca com a gente.

Certa vez conversei rapidamente com um motorista que me dizia: "eles não enrolam somente vocês, enrolam a gente também com os salários".

A minha insatisfação fica aqui pontuada. Pelo menos, quando alguém digitar no Google seu nome, dos mais de 1 milhão de resultados, um deles é esse texto. Sei que é pouco, porém, me sinto mais útil e menos passivo. Talvez, melhor do que ligar ou comparecer pessoalmente na sua sede e reclamar para funcionários assalariados.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Devolução

Se a Fergo me devolvesse somente 1 minuto de todas as horas que me fez esperar todos os seus ônibus que embarquei nessa vida, ainda hoje eu poderia estar comendo a comida da minha mãe. Mas não é possível essa devolução – e quando desci do circular, com as mochilas perduradas pelo corpo, vi o ônibus que fazia a minha linha engatar a marcha ré e partir para seu destino; sem mim.

Se eu tivesse com a passagem na mão, assim que pisei na rodoviária, eu poderia tentar gritar, e chacoalhando-a com os braços esticados, para chamar a atenção e comover o motorista; entretanto, eu ainda precisava comprá-la. E confesso que duvidei do fato e nem me preocupei: o ônibus estava marcado para partir às 18h30 e no meu celular era pontualmente 18h30!! Daí claro que aquele veículo que partira não poderia ser o meu: jamais! Nunca foi assim e naquele instante também não seria!!!Porém, não sei por que, hoje, a Fergo resolveu ser pontual.

É mais um "se".
26/01/2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Não consegui postar um texto ainda esse ano.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Presente e futuro

Mais um pouco e mais uma década termina, a primeira que tenho consciência que vivi: de 1º de janeiro de 2000, quando entortava meu pescoço para observar os fogos de artifícios do céu de Poços de Caldas, até esses últimos dias desse 2009, quando somente cocei a virilia deitado no sofá - estou parando de coçar somente quando pego no violão. Mas penso: vivi esses anos todos e terei a responsabilidade de contar o que para as futuras gerações? Ah, eu fico com essa responsabilidade, ainda mais vocês, meus amigos que serão sociólogos...

Poderíamos contar que vimos o primeiro presidente do país de origem operária!! Ou então relatar o que estávamos fazendo no trágico dia onze de setembro de dois mil e um... Pode ser. Mas para ser bem espontâneo, o que mais me chamou a atenção nessa década foi ver e ouvir grandes artistas brasileiros trabalhando bem na minha frente, pessoas que resumiriam esses últimos dez anos melhor do que eu ou qualquer outro cientista, eu acredito. Mas o que isso importa? Talvez nada: daqui a quanto tempo cairão no esquecimento e serão lembrados apenas em edições especiais de revistas como a BRAVO! ? Voltarei a pensar nos ditos grandes fatos: posso dizer também que vi a seleção de futebol pentacampeã, algo muito "interessante".

Mas continuarei dizendo que essa década foi mais uma em que essa sociedade se dizia moderna, porém, ainda mergulhada em preconceitos. Direi também que embora se pregava muito uma tal liberdade, éramos totalmente livres apenas para ser somente o que os outros queriam que nós fôssemos: quem quisesse ser um pouco diferente podia, mas sofreria consequências: bastava proferir um discurso ou simplesmente ter maneiras mais "estranhas" que o sujeito hostil ainda sofria coerções das mais diversas - algumas pesadas, escancarando o atraso no tempo, ou outras sutis, mascarando esse retrocesso.

Também poderei dizer que naquela passada primeira do século vinte e um me chamava a atenção o fato de mesmo em meio a tanta tecnologia, ainda continuarmos podendo apenas saber o que nos deixavam conhecer: um único grande satélite controlava qualquer tipo de informação valiosa para o bem estar de todos civis.

Contudo, desejo (e aqui fica escondido meus "sinceros votos" para o futuro, longe do tipo das mensagens da TV nessa época do ano ou daquela música pegajosa do Frejat) que nas décadas porvir, se me for possível, que eu relate que esse fora um passado no mínimo muito chato e sem graça, e o que é está simplesmente de alguma forma bem melhor do que foi.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009






numa tarde de sol
,coincidentemente feriado,
mastigo uma bolacha de água e sal
com gosto de unhas sujas ,recheadas de tédio.




quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Desistir

e se eu for o primeiro?
a prever e poder desistir
do que for dar errado

***


O acaso por vezes pode ser amigo, por outras não. Se a minha irmã tivesse sandálias em casa ela não precisaria pedir emprestado para uma tia, e eu não precisaria devolve-las e não precisaria abastecer o carro naquele posto de gasolina, perto da casa da minha tia. Ou talvez, se naquele início de tarde Alfredo não precisasse sair com seu Honda Civic mais tarde do trabalho e estacionado seu veículo bem na minha frente no mesmo posto, não me obrigaria a desviá-lo e a deixar dois meses de bolsa numa autopeça. E eu também não precisaria passar a noite na minha cidade ouvindo hostis discursos, em um ambiente que no mínimo poderia ser mais fraterno para todos ali presentes, somente por que eu furei minha orelha.

Também não precisaria ficar tomando um vinho Canção sem gelo e com farelos de rolha no fim do dia, numa tentativa de encontrar algum sentido para o 23 de dezembro de 2009.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

















apenas
quero
ficar
só.









no "grande sossego de mim mesmo".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Luciana

Certamente, minha amargura desses dias se transformaria em algo maior se eu não a visse. E agora, a poucos minutos, quando nos despedimos, vim pensando em algumas coisas sobre o que conversamos, enquanto comemos pão com mortadela naquele mercadinho inflacionado do campus: todos nós querendo ou não estamos vivendo na e de acordo com as leis da "racionalidade científica-européia-cartesiana", mas parece que tem gente que não... Tem gente por aí também, que nem é profissional da área antropologia, que não precisa de documentos e bolsa da Capes ou Fapesp, para dar um rolê por outros territórios...
Isto é apenas uma reverência.

E foi embora com uma flor que "roubei" atrás da orelha, e eu com um artefato de algum povoado do Peru na mochila...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

nesse momento menor

nesse momento menor cheguei em casa, cansado. me coloquei pra escrever nessa mesa fechada no quarto, enquanto lá fora cai uma chuva cinza. ouço no instante o “quatro”, que me ajuda a rabiscar esta tarde, jamais, uma das mais alegres desde quando penso saber o que é alegria (ou tristeza). esse mar de lágrimas por uma morena de um dos barbudos neste disco me faz pensar que não sou a última pessoa de algum lugar feliz. já as paisagens abstratas do outro pode me garantir um pouco mais de satisfação quando sair desse quarto: posso imaginar que o vento e os pássaros podem me levar pra alguma outra condição... bem melhor que essa daqui.

*

olho para as pontas dos dedos da minha mão esquerda e percebo que elas ressecam. vejo várias tonalidades de rosa em meio aos rachados de cor predominantemente branca e beje. pra tentar colorir algo de mais estranho que este dia, em meio à primavera, tiro essa caneta do papel e começo a contornar os rachados do dedo anelar.
ficou apenas um borrão azul.

*

(acho que nunca escrevi a palavra borrão).

*

e daí que banda acabou, o disco também, e com ele essa tarde. seus últimos versos são esperançosos para quem ainda aguarda (ansiosamente) seu retorno - ao menos eu acho, sei lá, preciso achar que algo nessa brincadeira de vida poderá ser legal.

*

com um grande lamento,
me parece
que mais uma vez a vida vai continuar,

com ou sem
rabiscos. paisagens
abstratas. dedos
rachados. mar
de lágrimas. borrões...

ainda,
neste momento menor.


12/10/2009